Celebrado em 20 de outubro, o Dia do Arquivista homenageia profissionais que preservam, organizam e garantem o acesso aos documentos. Esse trabalho mantém viva a memória coletiva e oferece à sociedade meios para conhecer sua história, inclusive episódios marcados pela violência e pelo apagamento.

A trajetória de Inês Etienne Romeu mostra a dimensão pública e democrática dos arquivos. Historiadora, ela trabalhou no Arquivo Público do Estado de São Paulo e dirigiu a instituição entre 1988 e 1990. Durante a ditadura, foi a única sobrevivente da Casa da Morte, centro clandestino de repressão em Petrópolis. Mantida em cárcere por 96 dias, sofreu tortura e outras violências. Em 1979, denunciou o que viveu em depoimento entregue à Ordem dos Advogados do Brasil. (Arquivo Público do Estado de São Paulo; Memórias Reveladas)

Em 2014, a Comissão Nacional da Verdade retomou o caso. O relatório, apresentado no Arquivo Nacional com base no relato de Inês, contribuiu para identificar agentes ligados à Casa da Morte e reforçou a importância de preservar testemunhos e documentos sobre as violações cometidas pelo Estado. Esses registros sustentam o direito à verdade e ajudam a impedir que a violência seja negada ou esquecida. (Comissão Nacional da Verdade; Exame)

Os arquivos não são apenas lugares de guarda. Preservar documentos, dar contexto a eles e permitir sua consulta torna possível reconhecer experiências silenciadas, investigar responsabilidades e ampliar o conhecimento público. É um trabalho essencial para a memória social e para a democracia.

Essa memória também convoca à ação no presente. Defender a democracia significa proteger direitos e condições dignas de vida, inclusive os direitos de trabalhadoras e trabalhadores. As conquistas sociais resultam de lutas coletivas e não podem ser tratadas como garantidas: é preciso defendê-las contra retrocessos.

Neste Dia do Arquivista, o Pró-Memórias homenageia quem trabalha para manter os documentos acessíveis e a história viva. A trajetória de Inês Etienne Romeu nos lembra que preservar a memória é também fortalecer a cidadania e renovar o compromisso com a democracia e os direitos humanos.

Inês Etienne Romeu, presente.

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