O livro “Arquivos pessoais: fronteiras”, organizado pelo arquivista e pesquisador José Francisco Guelfi Campos, reúne pesquisas e experiências que questionam os limites dos arquivos pessoais e ampliam o debate sobre memória, preservação e acesso. Publicada em 2020 pela Associação de Arquivistas de São Paulo (ARQ-SP), a obra tem 619 páginas e constitui o sexto volume da série Eventus, reunindo trabalhos apresentados no III Encontro “Arquivos Pessoais: experiências, reflexões, perspectivas”, realizado em São Paulo em dezembro de 2019. A publicação está disponível gratuitamente em formato digital na Biblioteca Digital da ARQ-SP, com ISBN 978-65-991726-3-2.

O texto parte de uma questão central: onde estão as fronteiras dos arquivos pessoais? Na abertura do livro, “Arquivos entre fronteiras”, Guelfi Campos questiona a ideia de que esses conjuntos documentais seriam desprovidos de organicidade e chama atenção para a necessidade de compreender os documentos a partir das atividades que lhes deram origem, deslocando o olhar do documento isolado para o contexto de produção e acumulação.

Um dos eixos mais discutidos é a fronteira entre público e privado: um arquivo pode nascer da vida privada de uma pessoa e, ao mesmo tempo, ter grande relevância social, especialmente quando o titular desempenhou atividades de interesse público, científico, artístico ou político. A obra também explora a fronteira entre arquivo e coleção, distinção central na Arquivologia, já que um arquivo se constitui organicamente a partir das atividades de seu produtor, enquanto uma coleção reúne documentos artificialmente, segundo critérios externos.

A coletânea reúne estudos sobre arquivos de figuras diversas, entre elas a escritora Júlia Lopes de Almeida, membros da Academia Brasileira de Letras, o ativista do movimento homossexual João Antônio de Souza Mascarenhas, cientistas e profissionais das artes cênicas, além de discutir a presença e a ausência de mulheres nos arquivos pessoais custodiados pela Seção de Manuscritos da Fundação Biblioteca Nacional.

O livro está organizado em três eixos: Reflexões, com discussões conceituais sobre princípios arquivísticos, aquisição e institucionalização; Experiências, com relatos de organização de arquivos de músicos, escritores, cientistas e ativistas; e Perspectivas, que relaciona os arquivos pessoais a temas como biografia, arquivos de família, gênero e difusão.

Guelfi Campos é doutor pela USP, onde defendeu em 2014 dissertação sobre a preservação da memória da ciência brasileira por meio de arquivos pessoais de professores e pesquisadores da universidade.

“Arquivos pessoais: fronteiras” pode ser baixado gratuitamente na Biblioteca Digital da Associação de Arquivistas de São Paulo.

Fonte: Associação de Arquivistas de São Paulo (ARQ-SP)