Os documentos históricos encontrados durante a Operação Guarda-Mór, na quinta-feira (13), são datados de anos antes da Batalha do Jenipapo, ocorrida em 1823. O acervo, localizado em Campo Maior, revela um período até então desconhecido da história do Piauí.

Entre os itens encontrados estão livros de registros, escrituras de compra de pessoas escravizadas e de frações de terra. Segundo o promotor Maurício Gomes, o material havia sido confiado a um responsável que não adotou os cuidados necessários à preservação, o que levou o acervo a se perder ao longo dos anos.

As investigações começaram a partir de informações da Associação Nacional de História e Memória, que apontou o acervo do Museu do Zé Didor como local onde o material estaria guardado. Segundo o promotor, a fundação criada por Zé Didor reunia o acervo amealhado por ele em vida, mas, após sua morte, a sucessão não manteve os cuidados necessários com a coleção.

O promotor informou ainda que há registros de armas usadas na Batalha do Jenipapo que não foram localizadas pelas autoridades, e fez um apelo para que a família que as detém entre em contato com o Ministério Público. Segundo ele, os bens históricos só têm valor reconhecido quando avaliados por especialistas, que devem analisar e catalogar o material apreendido.

A denominação da operação faz referência ao Guarda-Mór, oficial responsável pela guarda e conservação de arquivos públicos, documentos reais e cartórios no Reino e nas colônias,  figura que simboliza a proteção e a tutela institucional da memória documental.

O trabalho contou com a participação do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), do Batalhão Especializado de Policiamento do Interior (Bepi), da Polícia Civil e de historiadores do Núcleo de Pesquisa em História e Memória do Piauí, vinculado à UFPI.

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