A França presenciou na última terça-feira, 23 de junho de 2026, a consagração do historiador e membro da Resistência Francesa, Marc Bloch, no Panteão de Paris. O evento oficializou a entrada do primeiro historiador no monumento desde 1791. A cerimônia republicana honrou sua obra intelectual e o valor da guarda da memória nacional.

Marc Bloch é uma figura importante para a arquivística e a historiografia mundial. Nascido em uma família judaica da Alsácia, ele fundou a Escola dos Annales ao lado de Lucien Febvre. Essa corrente mudou a forma de estudar o passado no século XX. O historiador provou que a pesquisa precisa investigar as mentalidades, a economia e a sociedade por meio de arquivos antes ignorados, superando a simples listagem de datas e batalhas.

O estudioso também se destacou pela bravura em campo e na vida pública. Ele serviu como capitão na Primeira Guerra Mundial e retornou às frentes de combate aos 52 anos, durante a invasão nazista de 1940. Após a queda da França, redigiu o livro A Estranha Derrota, uma análise sobre as falhas estruturais do país. Em seguida, ingressou no movimento clandestino de libertação. Capturado e torturado pela Gestapo, Marc Bloch foi fuzilado pelas costas em 16 de junho de 1944.

A homenagem no Panteão evidenciou o papel dos documentos físicos na materialização histórica. Os restos mortais do historiador e de sua esposa, Simonne Bloch, permanecem em locais distintos ou desconhecidos. Por isso, a família depositou cenotáfios no panteão francês, operando como túmulos simbólicos. O interior dessas urnas guarda relíquias de valor para o acervo memorial. Os familiares incluíram cópias de medalhas militares, cartas pessoais, o testamento de 1941 e uma página manuscrita da obra Apologia da História.

O presidente francês Emmanuel Macron encerrou a solenidade com um discurso em defesa da democracia e contra o antissemitismo. O chefe de Estado relembrou o perigo do regime colaboracionista de Vichy e o espírito de derrota que ameaça a vida pública. O casal Bloch repousa agora na cripta número 13 do Panteão. A cerimônia reafirmou que o ofício do pesquisador e a guarda diligente das fontes documentais representam atos definitivos de resistência e de compromisso com a verdade.