A coordenação do Programa Pró-Memórias visitou o Arquivo Público do Estado do Rio de Janeiro (Aperj) para acompanhar o projeto de recolhimento de documentos da Polícia Civil localizados nos antigos prédios do DOPS e do IML, conduzido pelo Coletivo Memória, Verdade, Justiça e Reparação do Rio de Janeiro (Coletivo RJ/MVJR).

No prédio do antigo DOPS, o trabalho já recolheu cerca de 300 caixas de documentos, entre fichas funcionais de agentes da polícia, que vão da década de 1920 ao início dos anos 2000, e processos da Delegacia de Costumes e Diversões Públicas, referentes à expedição de alvarás e autorizações para bares, hotéis, cinemas, clubes e blocos de carnaval. A equipe atuou por um ano e meio com voluntários dentro do prédio e, posteriormente, contou com apoio do Instituto Galo da Manhã para a contratação de duas arquivistas, sob orientação técnica do Aperj.

No prédio do antigo Instituto Médico Legal (IML), foram recolhidos cerca de 200 livros de registro de óbito das décadas de 1960, 1970 e 1980, nunca antes consultados, além de 26 fichários com pastas de assentamento de agentes da Delegacia Especial de Segurança Política e Social (Desps), polícia política da era Vargas e do DOPS, da ditadura militar, e mais de mil rolos de microfilmes com laudos cadavéricos produzidos entre 1966 e 1983.

Ainda restam documentos a identificar e recolher no prédio do IML: no terceiro andar, o restante do acervo de fichas funcionais da polícia, com registros que remontam a 1910; um conjunto de pastas com ofícios e memorandos, com respectivas fichas remissivas, ainda não identificado, mas que pode conter informações relevantes sobre a atuação dos órgãos de repressão; no quarto andar, os laudos cadavéricos em papel, de 1983 a 2009; e, no quinto andar, o acervo do IML de Niterói e o acervo fotográfico do Instituto de Criminalística Carlos Éboli, com registros de prisões, exames de corpo de delito e perícias.

Nesse último conjunto, a Comissão da Verdade encontrou provas da participação de agentes do DOPS no caso Zuzu Angel, e foi com base nos livros de registro de óbito do IML que o Grupo Tortura Nunca Mais identificou, nos anos 1990, indícios que levaram à localização de 16 desaparecidos políticos enterrados em vala comum, junto a mais de 2 mil corpos, no cemitério de Ricardo de Albuquerque.

Fonte: Coletivo Memória, Verdade, Justiça e Reparação do Rio de Janeiro (Coletivo RJ/MVJR) e Pró-Memórias.

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