A Biblioteca Mário de Andrade, na capital paulista, captou R$ 5,74 milhões para a preservação e conversão digital de seu acervo histórico. Os recursos são fruto da aprovação na chamada pública “Identidade Brasil – Recuperação e Preservação de Acervos 2025”, do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), com financiamento da Finep e do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico.

A iniciativa será conduzida em parceria com os cursos de Biblioteconomia e Arquivologia da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP). O cronograma abrange um processo de tratamento físico: melhorias estruturais na hemeroteca, higienização especializada dos materiais, além da organização e catalogação das peças. O projeto prevê ainda a aquisição de estantes e caixas de acondicionamento em padrão museológico.

Para os profissionais da área de acervos, o projeto resolve um duplo desafio de conservação estrutural e obsolescência de suportes. A coleção de microfilmes da instituição, que no passado representou a melhor tecnologia de salvaguarda, hoje esbarra na escassez mercadológica de equipamentos de leitura. Paralelamente, os periódicos físicos originais sofrem os riscos naturais do manuseio contínuo.

Segundo Isabel Cristina Ayres da Silva Maringelli, coordenadora da pós-graduação em Arquivologia da FESPSP, a ação é vital para a memória nacional, visto que a instituição abriga jornais e revistas indisponíveis em qualquer outro arquivo do país. A etapa final de digitalização garantirá o acesso remoto e democratizado para pesquisadores e para o público geral, atuando também como uma medida definitiva de conservação preventiva ao reduzir o contato direto com as obras originais.