“Um povo sem memória é um povo sem futuro”. A frase, escrita nas escadarias do Estádio Nacional do Chile (teatro da violência da ditadura contra os cidadãos e a liberdade), faz-nos lembrar que a preservação da memória é a garantia da formulação do conhecimento sobre o nosso passado e, por isso mesmo, da própria construção das possibilidades do futuro. No Brasil, a formação da memória nacional sempre foi desconsiderada pelo Estado, cuja falta de responsabilidade com os acervos públicos tem sido resultado de políticas negligentes e por vezes até criminosas. Até mesmo as instituições responsáveis pela construção de um discurso hegemônico e legitimador do status-quo, são descuidadas, vítimas de políticas públicas inconsistentes e ocasionais. Apesar de a legislação, nos marcos da nova Constituição de 1988, prever este empenho dos poderes públicos, o cuidado com os registros históricos e com a documentação tem sido mais uma tarefa de gerações de funcionários dedicados, cidadãos interessados e gestos generosos de particulares.

Em outubro de 2024, o Instituto Galo da Manhã criou o Pró-memórias, um novo programa para apoiar a preservação da memória cultural brasileira. O Instituto Galo da Manhã é uma organização sem fins lucrativos fundada com a missão de fortalecer a sociedade civil e estimular melhores políticas públicas para promover justiça e assegurar direitos fundamentais, defender e aprofundar a democracia, incentivar a cultura e a valorização da memória, e gerar avanços na agenda socioambiental. A atuação do Instituto Galo da Manhã está organizada em programas com objetivos e estratégias próprias.

O Pró-memórias é um programa dedicado a apoiar os arquivos públicos, privados, comunitários e populares em prol do direito à memória como componente essencial da cidadania e da democracia. O nosso nome é uma homenagem à Fundação Nacional Pró-memória, criada em 1980 por Aloísio Magalhães (1928-1982), artista plástico e designer, e extinta em 1990. Ao adotarmos a flexão em nosso nome, defendemos uma compreensão multifacetada e diversa da memória, em um Brasil que acreditamos ser transacional e plural.

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