O Arquivo Público do Estado de São Paulo recebeu ontem a mesa de encerramento da 10ª Semana Nacional de Arquivos. Com o tema “Arquivos Populares: justiça social, reparação e inclusão”, o painel abordou a relevância dos acervos construídos pela própria sociedade civil como instrumentos de preservação da memória e reparação histórica.
O debate contou com a presença de Angel Natan, representante do Acervo Bajubá; Casimiro Paschoal “Lumbandamga” da Silva, do Grêmio Recreativo Flor de Maio; Lucimeire Barreto Rocha, do Arquivo do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST); e Peterson Mendes, do Arquivo Comunitário da Associação Cantareira. A mediação do encontro foi realizada por Jean Camoleze, do Instituto Pró-Memórias.
Com exceção do Acervo Bajubá, as demais iniciativas de memória presentes na mesa contam com o apoio institucional do Instituto Pró-Memórias para a manutenção e organização de seus acervos.
Durante o encontro, os palestrantes detalharam o processo de construção e manutenção de suas atividades. A discussão centralizou-se na forma como esses arquivos têm gerado novas tecnologias sociais e modificado a gestão de dados nas comunidades.
Os representantes também destacaram o papel político desses espaços. Segundo o que foi discutido na mesa, os arquivos populares oferecem um contraponto direto à história oficial frequentemente consolidada nos arquivos institucionalizados, garantindo representatividade documental para grupos e narrativas historicamente marginalizados.